Pais de verdade

Meu nome é Roberta, tenho 33 anos, sou casada, mãe da Lorena e filha muito amada de pais verdadeiros – que muitos chamam de pais adotivos. Os chamo de pais de VERDADE, pois se hoje sou uma cidadã de bem, profissional bem sucedida, de caráter e temente a Deus, devo isso aos meus maravilhosos pais Nelson e Alzira Rosada. Eles não puderam ter filhos biológicos e pediram a Deus um filho e Ele respondeu através de minha vida. Fui adotada em Atibaia com seis meses de vida. Muito doente, me trouxeram para Limeira e ali começava uma linda história de amor de um casal por uma criança que não tinha seu sangue. Sempre vivemos em uma família simples, sem luxo, mas, amor, dignidade e respeito sempre tiveram de sobra. Toda família ficou muito feliz; meus tios e avós nunca fizeram distinção e sempre participaram muito da minha vida. Minha mãe sempre dizia que eu era sua filha amada e que nasci do coração. Fui crescendo e me perguntando como poderia nascer do coração, se toda criança nasce da barriga. Como isso aconteceu comigo? Aos 6 anos, quando entraria na primeira série, meus pais preocupados com possíveis comentários das crianças que sabiam da minha condição, resolveram me contar toda a história. Eu não manifestei reação alguma. Minha resposta foi um sorriso. Perguntaram se eu queria falar algo, respondi que não e que eu já sabia. Talvez o amor que envolvia nossa família fosse tanto, que o fato de ouvir essa verdade não fez diferença alguma. Eles me contaram que minha mãe biológica me entregou para adoção, pois não tinha condição de oferecer um bom futuro a uma criança. Não me pouparam a verdade e por isso nunca, nunca mesmo senti ódio, rancor ou até mesmo um pouquinho de mágoa por ter sido entregue à adoção. No fundo a mãe biológica foi apenas uma vítima da vida e não quis o mesmo futuro para mim. Hoje, graças a ela tenho esses pais. Eu acredito que Deus escreve certo por linhas certas. Se este foi meu destino, era o melhor para a minha vida. Costumo dizer que amor maior por uma criança não pôde existir, pois é fácil você amar uma criança que você gerou, que tenha seu sangue, isso nada mais é que obrigação. Mas o amor por um filho adotivo é algo incondicional, é sobrenatural. Eu sinto tanto amor, tanto carinho que quando saímos seus olhos brilham ao falar aos amigos: Esperem, deixem-nos chamar a nossa menina para vocês verem. Aos olhos deles eu ainda sou aquela menina. E a cada realização minha, vejo em suas carinhas o orgulho. Pai, mãe não é novidade para vocês o quanto eu os amo e o quanto sou grata por tudo o que fizeram e ainda fazem por mim. Obrigada por toda noite mal dormida, por tudo o que vocês me ensinaram. Obrigada por cuidarem da nossa Lorena enquanto eu trabalho. Se hoje luto, é por vocês! Tenho orgulho do seu jeito simples de ser minha mãe! E pai, aprendi a ser forte com você! Eu os amo demais e minha vida sem vocês não teria o menor sentido!