Cidadania e amor à pátria

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Reclamar, criticar e até esbravejar são atitudes muito comuns entre todos nós quando o assunto é o nosso país. Acima de qualquer bandeira partidária ou ideológica, o surgimento das queixas, dos adjetivos pejorativos e a ausência de qualquer projeção otimista parecem unânimes e contagiantes, ultrapassando as fronteiras do mundo adulto e invadindo cada vez mais o universo infantil.

Sem percebemos, estamos transferindo de forma contundente para os pequenos esse olhar permanentemente negativo em relação à nação onde vivemos.

De maneira involuntária, estamos transmitindo exatamente esse padrão de comportamento para as futuras gerações que, por sua vez ficam propensas a perpetua-lo.

Em casa, no caminho da escola, da igreja ou da festa do amiguinho, perdemos a oportunidade de estimular algo muito valioso entre as crianças: o amor à pátria. Esse sentimento valioso é fundamental para estimular a vontade de contribuir, de participar e de fazer algo novo que possa acrescentar na vida coletiva e ajudar a vislumbrar um futuro melhor para todos.

Alimentar apenas o sonho de ir embora para outro país pode representar o desperdício da oportunidade de tentar construir, aqui mesmo, um novo país.

Não há problema em desejar mudar-se, planejar morar fora e viver outras experiências no futuro, mas o presente é hoje, está ao alcance de todos e pode ter a interferência positiva de todos nós.

CIDADANIA

A infância é sem dúvida um terreno muito fértil para desenvolver a cidadania, despertando entre as crianças a capacidade de olhar também para o que há de bom.

Muitos países que temos como referência de desenvolvimento em inúmeros aspectos também amargam centenas de problemas, alguns até semelhantes aos nossos. No entanto, onde o patriotismo é mais evidente, trabalhado em casa e na escola, o foco da população e a imagem que se projeta para o mundo é muito mais voltada para os fatores positivos em detrimento aos negativos.

Ampliar esse olhar é fundamental no Brasil também e pode ser sem dúvida um dos alicerces de mudança rumo a melhores cenários econômicos, sociais e de qualidade de vida.

Por isso, é importante não perpetuarmos a crença de que somos apenas o país do futebol ou do carnaval. O problema não é a paixão pelo futebol. O problema é só a paixão pelo futebol. Não podemos substituir as inúmeras formas de patriotismo tão somente por uma característica comum entre os brasileiros.

Além da diversidade cultural, econômica, empreendedora, gastronômica e uma natureza privilegiada, ainda temos muito de bom a explorar e a destacar para o mundo.

ESPÍRITO CRÍTICO

Olhar o que há de bom não significa não se atentar ao que há de ruim e precisa ser melhorado. Pelo contrário. Assim como a cidadania, o desenvolvimento do espírito crítico entre as crianças é importantíssimo desde cedo.

Aliás, é um ingrediente indispensável para a construção de uma nação melhor afinal, o espírito crítico só terá algum efeito prático se tivermos também essa percepção de patriotismo e de pertencimento. Só assim, portanto, também nos colocamos como responsáveis pela construção de um país melhor.

Muitas vezes, no dia-a-dia, perdemos pequenas oportunidades de explicar aos pequenos essas primeiras noções de cidadania.

Respeitar a fila, por exemplo, é um exemplo clássico e bem didático. Não adianta apenas cobrar honestidade dos políticos, se estamos sendo desonestos com quem está na fila do banco, do supermercado ou da loja.

Não adianta jogarmos lixo na calçada porque houve negligência do poder público em não colocar lixeira. A responsabilidade pela educação e pela sustentabilidade também é nossa. É de cada um.

Recentemente, o Brasil e outros países experimentaram uma grave epidemia de dengue que, entre inúmeros aspectos, evidenciou o quanto ainda precisamos amadurecer conceitos de cidadania até mesmo dentro de nossas casas, deixando mais limpa.

Não adianta passar de carro e ver uma área pública sem manutenção e esbravejar na presença das crianças se, na nossa casa, não estamos servindo de exemplo nem para os nossos filhos.

Experimente nos gestos corriqueiros tentar instigar entre as crianças pequenos atos de cidadania. Não se surpreenda se, mais adiante, a todo momento elas nos servirem de inspiração e até nos cobrarem condutas mais sensatas.

POLITIZAÇÃO

Neste ano de turbulências políticas e econômicas no cenário nacional e de eleições nos municípios, muitas famílias já estão falando mais sobre política em casa. Parece que não, mas esse assunto ainda é visto como uma espécie de tabu, como um tema chato e impróprio.

No entanto, se houver essa mudança de olhar e uma afinidade de propósitos também com as escolas, o resultado pode ser mais produtivo. Algumas instituições já trabalham com os pequenos, por exemplo, a temática do voto. De maneira lúdica, confeccionam urnas e promovem o voto simbólico, abordando questões como a democracia.

Da mesma forma, quando os professores engajam os alunos em temas de grande repercussão planetária, como a reciclagem do lixo doméstico, estão ajudando os pais nessa missão importante: plantar a semente da cidadania, que ultrapassará as fronteiras de casa, da escola, da cidade, da nação.

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