Como lidar com a agressividade infantil

agressividade

De repente aquela criança angelical, inocente e indefesa começa a ter atitudes que surpreendem a família. Uma birra no shopping, uma mordida na mãe, um tapinha no pai ou um puxão de cabelo na amiguinha são alguns exemplos registrados normalmente depois de um ano e meio ou dois anos.

Segundo a psicoterapeuta Solange Dantas Ferrari, até os quatro anos as crianças não sabem como lidar com as frustrações. Então, quando os seus desejos não são atendidos, surge forte e rapidamente um sentimento de decepção. “E para a criança se defender do que ela mesma sente ela reage, instintivamente, com a agressividade”, explica.

Após os dois anos, outros fatores influenciam, como a própria personalidade. Além disso, por volta dos três anos, as crianças já são capazes de ter gestos agressivos mais elaborados, tendo em conta o desenvolvimento motor.

Este tipo de comportamento, no entanto, vai diminuindo progressivamente, à medida que a criança aprende a gerir as emoções e começa a utilizar a linguagem para se comunicar e exprimir as suas frustrações de forma mais positiva.

A boa notícia, segundo ela, é que grande parte das vezes, quando o ato negativo não é reforçado, ele tende a desaparecer. Portanto, a recomendação é não supervalorizar o problema e sim procurar ignorar. “E sempre conversar com a criança na sua linguagem explicando o porquê de cada coisa. Cabe aos pais continuar firmemente em sua opinião e não ceder às vontades dos filhos”, reforça.

Por isso, a psicoterapeuta orienta que os pais não atendam ao desejo do filho que bate, grita morde para conseguir algo. “Portanto, sempre que notar algum traço de agressividade na criança, não reforce achando engraçadinho. Corrija, conversando de acordo com a idade. Filho se educa a partir do momento que nasce”, enfatiza.

PERSONALIDADE

Independente de sexo feminino ou masculino, essa fase pode ter, de alguma forma, ligação com o temperamento da criança. As meninas tendem a ser mais delicadas e meigas (embora existam aquelas que são muito mais agressivas que os garotos) e os meninos são mais valentes e fortes (e isso é passado desde muito cedo) e têm brincadeiras mais agressivas. “O importante é sempre o bom senso e coerência do adulto, sabendo colocar limites e principalmente elogiando a criança quando tem uma atitude ou gesto positivo. Precisamos valorizar o certo quando a criança age corretamente, pois na maioria das vezes só nos lembramos de criticar”, comenta.

Ela lembra, ainda, que nem sempre é possível identificar traços da personalidade por meio desses comportamentos. “Os mais antigos dizem que desde pequena a criança já mostra o gênio e isso tem um tanto de verdade. Entretanto, cabe ao adulto moldar a criança, sempre com muito amor, atenção e limites. Filho pede limite e quem ama tem que dizer muitas vezes o ‘não’, que é tão importante na formação do ser humano”, afirma.

COMO REPRIMIR

Considerando que nem sempre só a conversa resolve com os pequenos, a melhor forma de reprimir é pelo exemplo. Muitas vezes contando uma historinha e colocando a criança no personagem ela compreenderá melhor o “não”

A especialista ainda cita que os educadores recomendam deixar a criança no descanso um minuto por idade, ou seja, se tem três anos, por exemplo, ficará três minutos sentada, pensando no que fez e, assim, será explicado a ela o porque não fazer. “Mas nunca emende uma punição a outra, pois chega um momento em que a criança nem lembra mais o motivo”, avisa.

Apesar de o comportamento agressivo ser considerado natural em função do desenvolvimento e tender a ser algo passageiro, a psicoterapeuta lembra que sempre que sentirmos que estamos perdendo o controle da situação ou que não estamos conseguindo resolver um problema por não sabermos lidar com ele é preciso buscar ajuda e orientação profissional. “Não se deve ficar ouvindo uma conversa de um aqui e de outro lá. Cada um fala uma coisa. Todos querem acertar, mas muitas vezes esses conselhos podem piorar a situação. Hoje, com frequência, vemos pais levando tabefe de filho, filhos mandando pai calar a boca ou coisas piores e muitos não sabem o que fazer”, observa.

OUTROS COMPORTAMENTOS

Quando maiores, as crianças também podem apresentar outros sinais importantes em relação à agressividade. Irritabilidade, tédio mordaz, sentimento de vazio existencial, humor depressivo, inquietação e ansiedade são alguns exemplos.

A psicoterapeuta menciona que criança que fica muito tempo assistindo filmes violentos, jogos de luta ou usa brinquedos como armas, tende ser mais agressiva, pois o modelo de herói muitas vezes é o bandido, ou seja, que bate mais ou o assassino. “Por isso, é importante estabelecer horário para tudo na vida da criança para que cresça com limites”, explica.

É fundamental que os pais entendam que não devem dar tudo o que o filho pede, pois em algum momento da vida ao receber um não (e o decorrer da vida se encarrega de muitos “nãos”) ele não saberá lidar com as frustrações e poderá ter muitos problemas. Dar brinquedos é bom, mas brinquedo é diferente de brincadeiras. “A criança precisa de brincadeiras com os pais. É através das brincadeiras que os pais impõem limites, dão carinho, atenção e amor”, destaca.

Além disso, a agressividade do filho pode ser imitação do adulto. Para a criança vale mais o que ela vê do que o que ela ouve, ou seja, se os pais gritam por tudo, brigam a toda hora, se estressa frequentemente falando palavrões ou xingando no trânsito, por exemplo, transmitem esse comportamento aos filhos.

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