Quando nasce um filho, nasce uma mãe

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Meu filho terá saúde? Vou ser uma boa mãe? Conseguirei suprir suas necessidades? Educa-lo bem? Para o bem? Para a vida?

E o planeta? E o aquecimento global? E a escassez de água? O que o futuro nos reserva? Perguntas, incertezas e medos não faltam quando o assunto é maternidade afinal, a responsabilidade de ter um filho sempre foi e sempre será extremamente complexa.

Entretanto, quando nasce um filho, aflora também a divindade de ser mãe. Surge uma nova mulher que é capaz de enfrentar os próprios receios e se encoraja para viver com plenitude a benção de ser mãe afinal, o sentimento de amor pelo filho se multiplica e ajuda a aumentar nossas forças para enfrentarmos os desafios que esse novo papel representa.

Mãe e psicóloga, Juliana Marrara não vê palavra melhor para se referir à maternidade que não seja a divindade, ou seja, uma possibilidade divina, proveniente de Deus. “Talvez seja justamente por isso que, gradativamente, quando tomamos os filhos nos braços, uma força nos encoraja a viver os novos desafios”, afirma.

O fascínio pela maternidade, no seu entendimento, está presente nas mulheres desde muito pequenas. “Seja cuidando das bonecas, brincando com crianças menores, em contato com sobrinhos, filhos de amigos ou simplesmente admirando os bebês que encontramos por aí, sempre alimentamos esse desejo no nosso íntimo”, relata.

Porém, quando decidimos, ou nos surpreendemos com a maternidade, é natural que a ansiedade tome conta dos nossos sentimentos.

Isso porque, além da complexidade e das mudanças que o fato de sermos mães representa em nossas vidas, ela lembra que nós, mulheres, sempre buscamos a perfeição em tudo o que fazemos. “E não seria diferente neste mais valioso papel”, reflete.

CONTRADIÇÃO DE SENTIMENTOS

Por isso, não é difícil perceber que a maternidade também desencadeia uma verdadeira contradição de sentimentos. De um lado, a felicidade e o amor que não têm fim. Do outro, a ansiedade e insegurança o tempo todo.

Corpo, parto, saúde, educação e segurança são apenas algumas demonstrações de preocupações enormes, além de um processo de tomadas de decisões que podem ser consideradas difíceis para adequação ao novo papel: ser mãe.

Soma-se ainda um dos principais desafios da mulher contemporânea: conciliar casamento, profissão e filhos, o que pode ser algo muito complexo e até estressante, principalmente para quem não teve um planejamento.

No entanto, o amor que envolve o nascimento de um filho ameniza o impacto de todos esses problemas. “Eis que surge o tempo, a coragem, a energia, a paciência. Eis o nascimento de uma mãe”, declara.

NASCIMENTO DO PAI

Esse processo natural de aprendizado e encorajamento não deve ser restrito à mulher. Segundo ela, é válido ressaltar também que nós, mães, precisamos deixar espaço e favorecer situações para o nascimento do pai.

E isso não se resume a “pegue isso, carregue aquilo, coloque ali, faço isso, faça aquilo”. Possibilitar o nascimento do pai é permitir ninar, acariciar, trocar, banhar e passear. Esses exemplos, na verdade, fazem até mesmo parte dos deveres paternos.

Da mesma forma, também é muito importante favorecer o nascimento dos avós, irmãos, tios ou primos que possam auxiliar nos cuidados, diminuindo o cansaço e nos encorajando a cada dia. “Muitas vezes, por acharmos que só nós mães sabemos como cuidar, ou até mesmo por ciúmes, acabamos colocando nosso filho numa redoma de vidro ou exclusivamente sob nossos cuidados. É um ato ruim para nós e para a própria criança”, observa.

CONVIVÊNCIA

De acordo com Juliana, conviver com outras pessoas que sentem amor pelos nossos filhos possibilita também que eles se sintam mais protegidos, além de terem melhor socialização e serem mais desenvoltos.

Além disso, como consequência, o papel de mãe não se torna tão cansativo, pois haverá mais tempo para ser esposa, filha, amiga, profissional e desempenhar outros papeis que também desejamos.

Para isso, é necessário ainda fugir de pressões e problemas que muitas vezes nós mesmas criamos. A psicóloga alerta que o caminho da maternidade pode se tornar muito mais difícil se suas cobranças forem maiores em relação ao que você de fato pode oferecer.

Tudo pode ficar mais complicado também se houver superproteção ao filho para diminuir algum sentimento de culpa, preocupação com o que os outros vão pensar de você e dificuldade para compreender que cada criança é única, e seu desenvolvimento e preferências precisam ser respeitados. “Driblando essas condições e cobranças que nós mesmos muitas vezes nos impomos, é possível que nossos instintos maternos se aflorem mais com naturalidade, tranquilidade e ponderação. Ser mãe é dedicação e amor incondicional e a única recompensa é a felicidade de seu filho”, conclui.

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